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DISSOLVER OS PADRÕES DO MEDO E CRESCER EMOCIONALMENTE

        

       Crescer dói, dizem vários autores. Os adolescentes sentem muita dor física ao crescer. O crescimento emocional também dói, porque se trata de romper padrões de personalidade que só podemos perceber numa “sensação de insatisfação, sem causa definida, que persiste mesmo, por baixo de uma superfície feliz: a de que não estamos usando nossa vida de modo tão produtivo, quanto poderíamos”.

            Esses padrões de comportamento estruturados ao longo de nossas vidas adquiriram “força própria” e assumiram a direção de nossas vidas de forma automática e sem um sentido real. Por isso deixamos de fazer o que tem que ser feito, criando um hábito de esquiva, um padrão de adiamento. Automaticamente, não aceitamos desafios e evitamos o que consideramos difícil ou desagradável, perdemos as oportunidades e o controle sobre os rumos da nossa vida. O padrão de esquiva toma decisões por nós.     Os padrões vão tomando formas cada vez mais estruturadas, vão ficando mais fortes e nós cada vez mais fracos, com cada vez mais dificuldade para alcançarmos nossos objetivos. Torna-se difícil mudar, porque esta estruturação de hábitos passou a fazer parte de nós.

            Como podemos dissolver esses padrões? 1º Identificar nossos hábitos e padrões de adiamento; 2º Parar de achar desculpas para aquilo que deixamos de fazer; 3º Substituir a “tendência passiva de ansiar por um lugar perfeito, por uma responsabilidade honesta e ativa por nossa vida”. Podemos começar concentrando-nos naquilo que não queremos fazer e contatar com as emoções que surgem ao realizar esse trabalho: a raiva e a frustração. Perceber “um sentimento que surge por trás da emoção original, como um aperto físico ou tensão”. Ao continuar penetrando na nossa resistência, esse sentimento se intensifica e pode-se reconhecer o sentimento como medo.

            Não admitimos de imediato que o medo possa dirigir nossas escolhas e ações. Admitimos a sensação de estarmos no controle de nossas vidas, no entanto, isso faz parte da nossa auto-imagem, aquela que queremos proteger. Sentimo-nos seguros com os padrões estabelecidos. Este é o comportamento de quem tem medo. Tememos o incerto e o desconhecido, cedendo a esse medo e, assim, nós o reforçamos. O medo cria mais medo e se transforma numa sutil força propulsora. Situações em que perdemos o controle revelam nosso medo de contatarmos com o que está dentro de nós – o medo - e reconhecê-lo.

            Racionalizações, gostos e aversões, características de nossa personalidade que apreciamos, são mecanismos de defesa do ego para esconder o fato de que cedemos ao medo. Parecem inofensivos, no entanto, são padrões emocionais em ação, que encobrem nossa verdadeira motivação de ser honestos com nós mesmos. Para romper com esses padrões, precisamos experimentar nosso medo diretamente, entrar dentro dele. Quando nossa consciência ingressa na emoção, paramos de rotular a sensação com o medo e percebemos que essa sensação corporal é simplesmente energia, o que nos deixa calmos e em paz. Quando atravessamos o medo, podemos ser eficazes, romper com o nosso “não querer fazer” e contatar a sensação destas situações de forma direta com paciência, tranqüilidade e confiança. Este padrão é genuinamente sadio e nos capacita a determinarmos as nossas ações e as nossas vidas.

             Ao nos libertamos das nossas respostas automáticas, fazemos da vida uma grande oportunidade, entendemos que a existência humana é preciosa e tem um potencial ilimitado. Para isso precisamos encontrar os locais de silêncio dentro de nós mesmos, que estão além dos padrões, para entrarmos em contato com a nossa verdadeira natureza e, nutrirmos o crescimento de nossa essência. Só poderemos realizar isto aprendendo a ser honestos conosco. O rompimento de velhos padrões irão se realizar, momento a momento, quando aprendermos a nos manter vitais, isto é, a manter equilíbrio em nossas vidas.  Psic. Maria do Horto Palma Moraes

 

 

 

 


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