Quando se
fala em autoestima, refere-se ao amor próprio que o ser humano tem ou deveria
ter por si mesmo. É um autoconceito que a criança e o jovem vem estruturando a
partir das suas percepções sobre o que representam para os outros, como pensam
que os outros o vêem ou como o julgam e não sobre quem realmente são. Formam uma auto-imagem com as traduções que
fazem das mensagens, na maioria, vagas e sutis, que recebem dos pais e dos
professores revestidas de fantasias próprias da infância e da juventude. A
auto-estima tem suas raízes na relação do ser humano com o mundo. Começa a se
desenvolver, ainda no útero materno, também no momento do nascimento e nos
primeiros cinco anos de vida. Do respaldo e da aceitação dos pais, surgem as
bases para um autoconceito positivo.
Vive-se
num mundo de “seguros”: saúde, vida, carro, casa, etc. Asseguram-se todos os
bens possíveis. Mas há um seguro mais importante que é negligenciado – os pais,
“seguro total” para seus filhos. Contratam-se muitos seguros materiais, mas
tem-se pouco preparo emocional e espiritual para ser um “porto seguro” para os
filhos, principalmente, às crianças e aos adolescentes, em plena formação da
personalidade. Do acolhimento, do
reconhecimento e do amparo que o ser humano tem desde sua concepção, vai
desenvolvendo um vínculo de confiança básica para confiar em si mesmo e em seus
pais (nos adultos) e desenvolver uma auto-imagem positiva. A opinião sobre si
mesmo é fator importante para criar uma pré-disposição para estruturar uma
elevada autoestima, capaz de determinar uma vida futura de sucesso e feliz.
Se
você quer saber quem será uma criança ou um adolescente, quando adulto, avalie
o que pensa sobre si próprio e o que seus pais pensam sobre ela.. Se você,
desde a infância ouviu de suas pais
criticas e conceitos negativos a seus respeito, e hoje, você se considera
incapaz, desinteressante, estúpido, indigno, infeliz, culpado, vítima, perfeccionista,
trapaceiro, palhaço, medroso, desconfiado, anti-social, tímido, rígido,
inflexível, etc. possui uma baixa auto-estima e precisa mudar a imagem e o
conceito que tem a seu respeito. A pessoa que apresenta deficiência na autoestima
pode se sentir a pior pessoa sobre a face da Terra, a mais desprezível,
imagina-se inadequada, percebe-se defeituosa, não gosta de si e acha-se
incompetente, pensando não ter, nem manifestar nenhuma das boas qualidades que
os outros possuem. O que não é verdadeiro, pois todo o ser humano é mais
autoconfiante em algum aspecto do que em outros. A criança aprende a perceber como
é considerada – se é tratada com a devida importância, como alguém que tem
valor e qualidades, aumentará sua autoconfiança e se sentirá bem consigo mesma
e com os demais, como conseqüência.
Há
muita falta de respeito pelas crianças e pelos jovens, na sociedade. Há muitos
preconceitos ou altas expectativas que são causas de frustrações para os jovens
de hoje. Os rótulos falam sobre isso: o gordo, o feio, o pobre, o burro, aquele
não tem vez, o zoado, etc. A mídia desenvolve a imagem do magro, do esperto, do
bonito, um verdadeiro culto ao corpo, à inteligência, à beleza, às marcas. O
jovem que não se enquadra no modelo sofre, sente-se desprezível, indigno da
confiança e da admiração dos outros, sente vergonha pelo seu desempenho e por
aquilo que é – uma verdadeira destruição de muitas qualidades que se manifestam
em vários aspectos do ser humano. O desrespeito, a sensibilidade excessiva, a
desconfiança, o nojo e a rejeição dificultam o bom relacionamento, porque a
capacidade de aproximação, de fazer contato, ajudar, amar, fica bloqueada.
Se
você leitor necessita reestruturar sua autoestima comece por perceber que a
cada defeito que você se atribui, existe uma qualidade correspondente. Por
exemplo: se você se considera “distraído”, perceba se é uma pessoa criativa ou
capaz de sonhar; se você é mais sensível e “chora fácil”, observe se é uma
pessoa afetiva, que gosta de contato, de estar com pessoas e ter desenvolvido a
habilidade da empatia; se você se considera “desvalorizado”, humilhado, poderá
ter qualidades como a disponibilidade para ajudar e compreender o outro e ter
desenvolvido a habilidade de enfrentar desafios e fazer coisas difíceis. Assim
acontece com cada um daquilo que chamamos nossos defeitos. Todas as
características do ser humano, têm uma razão de ser. Tem dois lados. Também a
cada qualidade pode-se perceber um defeito correspondente.
Os
maiores valores estão na essência do ser humano, na sua necessidade interior de
ser feliz e que faz cada um, ser diferente do outro. Há também um universo de
pessoas. Embarcar nos rótulos da sociedade e não seguir sua essência é viver
infeliz. Desde que chega ao mundo o ser humano já possui potencialidades para
ser alguém com qualidades e dons para suprir este universo de espaços,
ocupações, funções e relacionamentos. Se não fossem as diversidades como seria
a vida? Por que seguir os rótulos e não a essência? Como amar aos outros sem
amar a si próprio?
Para
resolver as falhas na autoestima é preciso refazer o vínculo de confiança
básica (rompido na infância ou na adolescência) com alguém significativo: um
psicoterapeuta num processo de ajuda terapêutica, um professor, um amigo ou um
orientador. Há possibilidade de resgatar
a auto-estima, mesmo já sendo adulto, basta você ir a luta. Resgatar a
auto-estima é aprender a gostar de sua essência, isto é, das suas emoções, do seu
espírito e do seu corpo como ele é. Para
você se atribuir um autoconceito elevado precisa se conhecer melhor e descobrir
seu real valor. Desse forma, sentir-se-á de “bem
com a vida”.
Maria do Horto Palma Moraes - Psicóloga Clínica - #psicoterapiacorporalreichiana
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