Constelações Familiares
Constelações Familiares é um método
vivencial de ajuda, segundo seu criador Bert Hellinger, considerado por seus
sucessores como um método de terapia muito breve, que pode ser complementar ou
não a qualquer outro método psicoterapêutico, pois trabalha com um tema ou
questão pessoal, algum nó ou “emaranhado” num de seus relacionamentos familiares,
profissionais ou sociais, com resguardo da privacidade daquele que constela.
As Constelações Familiares podem ser
realizadas em grupo, com um trabalho mais rico, pois a pessoa que deseja
constelar, ou seja, o cliente é auxiliado pelos outros membros do grupo como
representantes, além do Facilitador. No entanto, o método pode ser aplicado
também individualmente e para grupos de um mesmo sistema como os empresariais.
Por
que “constelações” ?
O nome original do alemão Familienaufstellungsignifica “Colocação ou Representação Familiar”, mas
o verbo “stellen”foi traduzido para o inglês como “constellate”, quer dizer,
posicionar certos elementos numa dada configuração. Então o termo constelação
não se refere a constelações estelares, astrologia ou algo semelhante e sim
(por uma tradução feita do inglês para o português) como uma conotação de
representação dos elementos de um grupo familiar, empresarial ou outros. Esses
elementos de um mesmo sistema são posicionados configurando uma relação entre
eles.
O objetivo das Constelações Familiares consiste
em resgatar o lugar de cada membro no sistema, dando em lugar de honra e
restabelecendo as leis do amor. Um dos problemas emocionais mais frequenter nas
psicoterapias, são aqueles que estão relacionados a Ordem do Sistema Familiar .
Os princípios básicos para os sistemas
familiares estarem em harmonia são:
1. Vínculo ou pertencimento – cada
membro do sistema familiar pertence a ele e não pode ser desligado.
2. Ordem ou hierarquia – cada sistema
tem uma ordem, ela se estabelece com a ordem do tempo, os pais tem prioridade sobre os
filhos e o primeiro filho sobre o segundo e assim por diante. Quem veio antes
tem a precedência sobre quem veio depois.
3. Equilíbrio entre o dar e o receber –
se um membro dá algo para alguém, deve haver uma troca. No entanto, de pais
para filhos, aqueles dão e estes recebem (ou tomam), dando para seus filhos o
que receberam de seus pais ou fazendo valer a pena todo o sofrimento ou
sacrifício dos pais ou de alguém do sistema.
Origem dos problemas ou temas a serem
trabalhados em Constelações:
Pela
Psicologia do Desenvolvimento sabemos que a criança
começa a se comunicar bem cedo, desde antes ou logo após o nascimento; até
os 3 anos a criança está aberta e os padrões aprendidos, nessa fase, são bem
estáveis, mas não irreversíveis. Desde essa fase a criança já apresenta um movimento em direção a, direcionado ao contato com pessoas significativas para
ela (seus primeiros objetos de amor - seus pais) e objetos; tem a função de entrar e permanecer em contato com tudo
que é necessário à vida e à sobrevivência; o estado corporal é marcado pelo relaxamento e flexibilidade; a postura
básica é marcada pelo interesse e
concordância e, basicamente, diz SIM a vida; fortalece, preserva-a e conduz
à pessoa à frente.
Sentimentos primários como amor profundo,
raiva contra uma injustiça, medo de uma situação ameaçadora, etc. desde o
nascimento são experimentados pelos seres humanos nos relacionamentos com os
demais membros do sistema familiar, mesmo sem a consciência de tê-los. Mais
tardes esses sentimentos podem ser transformados em sentimentos secundários, ou
seja, sentimentos dirigidos a algum membro, mas que na verdade são expressos ou
projetados em outros.
Nas constelações, no entanto, os
representantes trazem ao campo, sentimentos adotivos, isto é, identificações
com membros do sistema, vivos ou mortos, que surgem a partir do desequilíbrio
do sistema, que precisa ser compensado, por uma exclusão de algum elemento, um
problema de ordem ou de dar ou receber sem troca. Estes geram uma consciência
pesada, uma culpa ou uma dívida entre seus membros.
Dessa forma surgem os movimentos de
aproximação ou afastamentos entre os representantes nas Constelações.
Esse movimento
em direção a nasce da necessidade de pertencer. Ser percebida, cuidada,
tocada e a essa sensação de pertencer, contribui para um desenvolvimento
saudável e para a harmonia do sistema.
No movimento
de afastamento pode-se entender todo o tipo de retirada, para o qual o cliente se
vira e se fecha internamente, para se proteger de uma situação que ele não
pode superar; o estado corporal – tensões
crônicas; cognitivamente, através de idéias
e conceitos de como deveria ser, que não correspondem à situação real;
existe um padrão de recusa, rejeição, defesa e uma disposição constante para discussões; a postura total do cliente corresponde a um NÃO; padrão
de retirada adquirido muito cedo.
A
criança desde cedo busca a mãe com seu olhar, se ela corresponde, favorece ao
movimento em direção a; caso não corresponda, seu olhar fica inquieto, a
criança começa a ficar tens, desvia o olhar e com um olhar interrogativo para a
mãe, pode começar a chorar, gritar e ela passa a desconfiar da mãe, o que pode
se restabelecer rapidamente, mas se a recusa da mãe se torna um padrão
constante, a criança permanece em um estado de tensão e resignação.
Se a criança receber rejeição e desamparo, não pode confiar,
entra em estado inquieto e se afasta, leva isso pela vida como um
padrão básico para sentimentos secundários, movimentos
interrompidos. É como se o organismo todo, psíquica e fisicamente, ficasse
congelado e “a alma se recolhe”. É
como ela chegasse a uma decisão interna de não mais se expor ao sofrimento e decide nunca mais entrar numa relação
estreita e profunda e “fazer tudo
sozinha”.
Sentimentos e movimentos primários fortalecem e são adequados às situações,
enquanto os sentimentos e movimentos secundários desviam dos primários e enfraquecem, porque não estão ligados a
nenhuma Meta Pessoal, desperdiça energia
e tempo com algum sintoma e o cliente não
consegue avançar em seu caminho, ficando zangado e triste, sem poder
descrever exatamente as conexões. Os secundários persistem e aparecem
repentinamente. Manifestam-se como impaciência, agressividade, monotonia,
incredulidade, não faz nenhum sentido na vida atual do cliente. Eles provém de
antigas marcas e condicionamentos e estão conectados a antigas feridas e
vivências e são resistentes a qualquer tipo de terapia que não levam a
situações solucionadoras.
Através do reconhecimento dos
sentimentos secundários e adotivos é que se estabelecem as Constelações, com
suas propostas de solução e levando ao que se chama de metassentimento, ou
seja, um sentimento de empatia, situado no aqui e agora e sob a liderança do
nosso Self, isto é, do “eu mesmo” de nossa personalidade.
Assim as constelações são finalizadas,
quando o cliente o cliente consegue chegar ao Metassentimento.
Texto de Maria do Horto Palma Moraes - psicóloga e consteladora familiar, baseado nos livros de Bert Hellinger